Os Fotografos Suicidas (Parte 1) – Francesca Woodman ( 1958 – 1981 ) EUA (A Sinistrona)

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Francesca woodman  se suicidou com 23 anos, se jogou de uma janela para finalmente encontrar a morte pela qual  sempre  se sentira atraida,  deixou   desconcertantes fotografias. Seu trabalho e sua  curta carreira

me impressionam e me  deixam curioso,  como uma mulher tão jovem  tinha acesso a um mundo imagético tão rico, denso e sinistro. Impossível ficar indiferente a elas.

Ela  Nasceu em Denver (Colorado, EUA) em  uma família de artistas (a sua mãe era ceramista e o seu pai pintor). Começou a fotografar por volta dos seus 13 anos, adotando rapidamente a fotografia em preto e branco.

Num curto período de tempo, ela produziu uma  intensa obra. Estudante entre 1975 a 1979 na escola de design de Rhode Island em Providence, obteve uma bolsa de estudo que lhe permitiu passar um ano em Roma no

palácio Cenci.

Descobre aí a livraria-galeria Maldoror, especializada em surrealismo e futurismo, e realizou a sua primeira exposição individual. De regresso aos Estado Unidos, acaba os seus estudos em Providence,

e instala-se a seguir em Nova Iorque. Desenvolve projetos de grande envergadura como os diazotypes (grandes formatos em papel azul e sépia). Desenha sérias maquetes de livros que apresentam as suas fotografias.

Só a obra “Some Disordered Interior Geometries” será publicada em 1981, data em que põe fim  aos seus dias, com a idade de 23 anos. Deixa mais de 800 provas onde ele própria se põe muitas vezes em cena.

Aliás, escreve no seu diário: “Ser fotografada ajuda-me a ser eu mesma.”
Ela foi se desnudando,  se desconstruindo  em suas fotográfias  se diluindo  em  cenários macabros e abandonados, por vezes torturando-se. O objeto principal do seu trabalho era o próprio corpo, apresentado

por vezes com uma visão tão comovente que parece impossível ter sido criada por alguém tão novo.

Suas fotos causam desconforto, são vultos, corpos distorcidos.Numa de suas últimas cartas que escreveu a Sloan Rankin, um ex-colega de escola, dizia: “My life at this point is like very old coffee-cup sediment

and I would rather die young leaving various accomplishments . . . instead of pell-mell erasing all of these delicate things . . . ”

Nas suas fotos, cada imagem parece perdida , cada foto é diferente , como se seu corpo estivesse mergulhado em um contínuo jogo de simulacros onde a origem, a verdade, a matriz, há muito se apagou.

Não há realidades, mas tudo é o que é: um corpo estendido no deserto de uma paisagem. O deserto é a fotografia, mas o corpo parece atravessado de sensações, de febre, de morte. Tudo parece vivo e morto.

como se a vida fosse o fora da morte, mas a morte o seu dentro, sua afirmação inevitável.

Francesca transcorre pela linha que cruza de uma realidade a outra. Nas suas fotos, as linhas estão sempre se encontrando, fabricando dobras, redobras, criando um aberto de possibilidades.


11 Responses to “Os Fotografos Suicidas (Parte 1) – Francesca Woodman ( 1958 – 1981 ) EUA (A Sinistrona)”


  1. 1 Fatinha Costa 5 de setembro de 2010 às 17:57

    Também me impressionam muito a vida e a obra dessa jovem artista!

    Há espíritos assim, para os quais a vida e o que se faz nela constitui mistério que só encontra descanso na ‘não-vida’.

    As imagens que deixou perpetuam sua existência para além do que ela mesma pode talvez ter imaginado.

    São belas, como ela foi, e continuam sendo, apesar de não conterem aquela beleza de estética convencional.

    Mas são pungentes, tocam fundo, causam arrepios, instigam perguntas.

    Nada está pronto, acabado, realizado. Talvez por isso sejam tão significativas.

  2. 2 Pedro Farina 5 de setembro de 2010 às 17:59

    Gostei do texto, bem poético… e as fotos dessa menina são realmente fortes, densas… ao mesmo temo “sinistras” como vc mencionou e “delicadas” como ela escreveu numa carta a um amigo…

    será que ela sofria pra fazer essas fotos? será que ela era infeliz e por isso se suicidou? não sei pq tive a sensação de que ela se foi sem dúvidas e sem sofrimento…

    • 3 Marcelo Carrera 5 de setembro de 2010 às 18:37

      Pedrinho, eu não sei responder essa sua pergunta, acho que só ela poderia, mas eu acredito que a pessoa que criou esse universo de imagem, tinha uma linguagem tão densa, forte, pertubadora, não deveria viver uma vida cor de rosa de um comercial de margarina.

      O ponto é fotografos passam uma carreira de 40 50 anos para fazer imagens com essa densidade e importãncia, alguma coisa tinha ali..

      e acho que não era felicidade, era medo, raiva, dor misfit feelings.

      Um abraço irmão.

  3. 4 Fatinha Costa 5 de setembro de 2010 às 18:03

    Esse vídeo no YT é sensacional, comovente…

    Fatinha

  4. 6 lombra 5 de setembro de 2010 às 19:36

    oi, Marcelo. gostei muito deste tópico também. Dentro desse universo de fotógrafas E suicidas, tem também Diane Arbus, que suicidou-se também, acredito que vá falar dela. Parabéns pelas informações que coloca aqui. Valeus. abssssssssssssss

    • 7 Marcelo Carrera 5 de setembro de 2010 às 19:51

      Valeu lombra, pretendo falar da Diane Arbus, Kevin Carter, Seiki Kayamori, Warren Bolster, Terence Donovan entre outros que se mataram, é um trabalho de pesquisa se tiver informaçãoes e quiser colaborar, é bem vindo.. curti suas fotos no Flickr, lindo trabalaho.
      um grande abraço.

  5. 8 ecityphotos 6 de setembro de 2010 às 18:24

    muito bom!
    a morte é vida, eu afirmo a morte pq sem vida não existe materialmente a morte.
    um corpo estendido, um cadáver putrificado ou uma alma que se esvai…
    por isso como cadáver, mastigo e digiro, muitas vezes a digestão não é muito fácil.
    pode até dar algum congestão! não é para todos, não é uma prática para todos os homens.

  6. 11 Roberta 19 de abril de 2011 às 23:37

    Impressionante, comovente! Bela análise, soube lhe dar o devido parâmetro. É um nome para se pesquisar. Um abraço,


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