Arquivo de agosto \27\UTC 2010

Uma tarde, um filme vencido 120mm uma máquina fotográfica e apenas 12 tiros…

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Por alguma razão esse filme vencido caiu na minha mão, muita coincidência 13 anos depois, eu no  Rio de Janeiro, fotografando com 120mm e  principalmente por 1997 ter sido
tão significativo na minha vida, muitas coisas importantes aconteceram naquele ano, resolvi fazer um ensaio meio na natureza, com coisas
que provavelmente já existiam em 1997, para simular que as fotos teriam sido feitas naquele ano.
Então munido de um filme vencido Negativo preto e branco vencido 1997 KODAK VERICHROME PAN BLACK AND WHITE , uma hassel 503cw,  e toda
a minha memória emocional de 1997, peguei meu carro e fui dirigindo sem destino, até que cheguei neste lugar…
Fiz as fotos em 2 horas, e fui embora feliz para casa.
Foi muito divertido esperar o resultado, acho que o filme reagiu muito bem a passagem do tempo, acho que muito melhor  do que eu mesmo…
Nenhum filme,  nenhuma máquina  vai me trazer de volta o tempo perdido…

Só um lembrete do Quintana … A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa. Quando se vê, já são seis horas! Quando se vê, já é sexta-feira… Quando se vê, já terminou o ano… Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida. Quando se vê, já passaram-se 50 anos! Agora é tarde demais para ser reprovado. Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio. Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.Desta forma, eu digo: Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo, pois a única coisa que terá, será desse tempo que infelizmente não voltará mais” Mário Quintana

http://vimeo.com/14848782


Uma vez eu ouvi uma história sobre duas mulheres…

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“Uma vez eu ouvi uma história sobre duas mulheres em uma pequena cidade da Tchecoslováquia. No final da segunda grande guerra, quando a vitória se aproximava e os Alemães foram obrigados a bater em retirada antes dos Russos avançarem, as duas mulheres foram para as ruas eufóricas, gritando, xingando e jogando pedras nos tanques de guerra Alemães. Os Alemães revidaram atirando contra a primeira mulher que foi fuzilada e morta instantaneamente. A segunda mulher por razões desconhecidas, foi ignorada pelo atirador. Gritando Histéricamente ela foi levada pelos seus compatriotas e internada em uma clínica para doentes mentais onde os médicos finalmente conseguiram acalma-la. A mulher que foi assassinada virou uma heroina, sua fotografia virou capa de jornais e revistas, seu nome foi incluído nos livros escolares. Até a rua recebeu seu nome posteriormente. A Mulher que foi ignorada passou 5 anos em hospícios e clínicas psiquiátricas. Até onde eu sei nunca ninguém se deu ao trabalho de fotografá-la.” MILOS FORMAN

Hassel 503 CW – acros 100

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Meninas da Vila – Vila Mimosa, Cartão postal secreto do Rio de Janeiro

Meninas da Vila  – Vila Mimosa, Cartão postal secreto do Rio de Janeiro Por Marcelo Carrera & Pedro Farina
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Nossa relação com a fotografia é profunda, intensa, orgânica, ultrapassa a paixão pelas imagens e o que elas representam hoje.
Em nosso ponto de vista, fotografar é eternizar um momento que já não existe, está morto, e que constitui uma tentativa tola de negar a morte, aprisionar a vida, lidar com o desejo delirante de perdurar a própria existência, como uma garrafa jogada ao mar do tempo, contendo uma mensagem para ser interpretada no futuro. É assim que nosso Coletivo se relaciona com as imagens e funciona criativamente.
O projeto Meninas da Vila (Vila Mimosa, cartão postal secreto do Rio de Janeiro) nasceu da curiosidade sobre essa vila centenária e pela necessidade de tentar entender um pouco melhor quem eram essas mulheres: se frequentavam a igreja; como lidavam com sentimentos como ‘culpa’, ‘vergonha’, ‘medo’; de que modo interagiam com suas famílias e com a moral cristã predominante.
Várias outras questões foram surgindo e juntando-se às que inicialmente nos motivaram: que caminhos de vida e circunstâncias as levaram àquele lugar? Por que motivo alguém concorda em se prostituir por R$ 28,00 e ficar com apenas R$18,00 depois de pagar o valor do quarto? Onde, como, com quem gastam o que recebem?
Um ano e muitas visitas depois, descobrimos que temos muito mais semelhanças com essas mulheres do que imaginávamos a princípio.
Não queríamos julgar nem parecer que estávamos em um zoológico, queríamos retratar os olhares, o vazio, o medo, os abusos, as tatuagens, os valores e o código de ética do local.
É, portanto, um trabalho documental ainda em andamento, por meio do qual estamos ‘invadindo’ a vida particular dessas mulheres, bem como os cafetões e clientes. É o que os americanos chamam de Enviromental Portraits.
Em termos técnicos, usamos somente luz natural, o que significa dizer que usamos quase nenhuma luz, pois os quartos são minúsculos, tendo, na maioria das vezes, uma lâmpada fraca, uma janela ou uma fresta no telhado.
Contudo, fomos percebendo que essa condição de pouca luminosidade nos possibilitava mostrar de forma contundente as cores e texturas das paredes, bem como, em muitos casos, contribuía para esconder os rostos, tirando partido das sombras, ou oferecendo enquadramentos agressivos, que traduzem inquestionavelmente aquela realidade como a víamos em cada sessão.
Muitos nos perguntam qual o propósito de tudo isso. Outros indagam o que de novo estamos trazendo com esse trabalho. Já nos questionaram até qual seria o tipo de perversão que nos motiva. Sadismo?!
Acreditamos que a resposta vai além da experiência fotográfica, pois o que nos interessa são as pessoas e a documentação desse ambiente tão hostil, raramente conhecido fora daqueles quarteirões, dificilmente divulgado para o público que não o frequenta.
Assim, pretendemos propor uma reflexão sobre ética, valores, direitos femininos, descaso do governo, hipocrisia, buscando estabelecer alguma comunicação entre esse universo quase sempre ‘varrido para baixo do tapete’ e este outro do qual somos parte, gerando informação, pois a ignorância é a mãe de todos os preconceitos.
Consideramos fundamental ressaltar que as “meninas” não foram dirigidas, e que nunca tivemos relação sexual com elas: o método era sempre pagar o programa de 15 minutos e, nesse intervalo, em um quarto imundo e escuro, tentar fazer retratos que representassem aquela experiência.
Muitas vezes fizemos fotos com filme, usando médio formato, e, para entrar com uma Hasselblad em um lugar com essas características, é preciso ter muita disciplina, além de uma grande motivação para fotografar.
Podemos afirmar que essa experiência tem nos afetado profundamente, mas tem nos dado uma perspectiva totalmente nova, e isso nos motiva. É a revelação de um mundo novo, uma nova regra, novos personagens, muitos dos quais, embora vivam da ‘indústria’ do sexo, não se reduzem à sua prática. Não nos move qualquer espécie de sadismo ou perversão: sentimos-nos desenvolvendo uma experiência sociológica relevante sob todos os aspectos.
Todas as fotografias desse trabalho são de pessoas que, assim como eu e você, almejam a felicidade.
Pode ser que não lhe interesse saber que existe uma vila no Rio de Janeiro, com mais de 100 anos, tida como a maior zona de prostituição heterossexual do mundo, onde cerca de 1.000 mulheres trabalham 24 horas por dia, 7 dias por semana. Pode ser que você deteste as fotos resultantes do nosso trabalho….mas nosso projeto foi feito para que você não possa negar que ela existe ou quem sabe no futuro existiu.
Marcelo Carrera & Pedro Farina

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